Harry Potter and the Deathly Hallows
Primeiro quero declarar que este texto está livre de spoilers e que posso apagar comentários que eu considerar "estraga-prazeres".
Li "Harry Potter e as Relíquias da Morte" logo depois do lançamento. Essa foi uma decisão que eu tomei depois de ler o sexto livro: ia melhorar meu inglês só pra não ter que esperar a tradução do sétimo. O motivo, claro, é que a gente sempre acaba descobrindo as coisas antes do tempo. Eu sou daquele tipo de pessoa que gosta de surpresas, de quebrar a cara tentando descobrir o que vai acontecer e, por isso, fico muito decepcionada quando topo com alguma informação indesejada.
Tinha resolvido que, se não conseguisse ler em inglês, ia me trancar dentro do quarto, tampar os ouvidos – para o caso de algum carro de som passar anunciando o final – e me desligar do mundo até a Lya Wyler terminar seu trabalho. Ainda bem que não foi preciso. Até comecei lendo uma dessas traduções que o pessoal estava fazendo, mas, ao encontrar a versão em inglês, descobri que aquilo estava uma merda e fiquei mesmo na versão original.
Pois é, eu li, parei, refleti e fim. O problema é que não é só assim. É tão estranho pensar que acabou! Quem não gosta não entende como é isso. Ainda lembro da minha ansiedade com os primeiros livros, de não dormir até terminar de ler cada novo lançamento, dos choros desesperados quando a história foi ficando mais densa, da tarde sumindo enquanto eu estava lendo deitada num sofá em uma salinha que não existe mais.
Lembro da disputa com meu irmão para decidir quem ia ler, da sala de teatro adaptada em improviso para exibir o primeiro filme quando a cidade estava sem cinema, de como todos gritavam e os organizadores tiveram que parar a exibição para pedir silêncio. Lembro de ler o primeiro livro - meu preferido - muitas e muitas vezes, de me arrepiar sempre que eu chegava perto do final, de desejar um Dumbledore para me dar conselhos, de esperar que talvez um dia eu ainda recebesse uma coruja me convidando à Hogwarts. É uma parte da minha vida, o trabalho da Rowling.
Cada personagem se tornou um conhecido e é como se eu estivesse estado em todos aqueles lugares junto com eles. Só que agora não tem mais o que esperar! Acabou. Sempre que penso nisso lembro de como se parece com quando Truman vai embora e as pessoas desligam a tv para viverem suas vidas. Sei que é uma analogia estranha, só que ainda mais estranho é entender que, para mim, quem estaria agora livre para poder viver seriam todos aqueles personagens.
Quanto ao livro mesmo, eu gostei dele, queria poder comentar algumas coisas, mas não acho justo fazê-lo. Só digo que achei o epílogo realmente dispensável. Na minha opinião, ele fez a coisa perder a graça. Além disso, eu fiquei com a impressão de que a Joanne tinha preparado o final de um jeito e depois voltou atrás.
Quem ainda não leu e quiser arriscar uma tradução, dizem que a melhor é a da Armada Tradutora. Para quem leu e ainda quiser saber um pouco mais, a J.K. respondeu em um chat várias coisas que não foram citadas no epílogo. Ela também pensa em lançar uma Enciclopédia para aproveitar materiais adicionais e angariar fundos para beneficência, mas como ela mesma disse, “Eu estou lidando com o nível de obsessão em alguns dos meus fãs que não irão descansar enquanto não souberem os nomes do meio dos tataravós de Harry”.
Então, quem sabe qualquer hora eu comente o livro em si. Agora é esperar pelos últimos filmes e depois deixar os anos passarem para fazermos nossos filhos lerem tudo também. :)